Acesso Restrito a Professores



Curso de aperfeiçoamento da ENAP utiliza estudos de caso em sala de aula

13/06/11 - Na última semana, alunos da disciplina “Gestão de Riscos nas Organizações Públicas” do curso de aperfeiçoamento para a carreira de Especialista em Política Pública em Gestão Governamental (EPPGG) tiveram a oportunidade de trabalhar, em sala de aula, com estudos de casos. Das narrativas escolhidas pelo professor Paulo Vaz Guimarães, duas são do acervo da ENAP – “Lancem o Vasa” (disponível na livro “Como escrever e usar estudos de caso para ensino e aprendizagem no setor público” de Andrew Graham) e “O licenciamento ambiental para hidrelétricas do Rio Madeira - Santo Antônio e Jirau” (disponível no livro e na Casoteca de Gestão Pública).

Para a aluna Carolina Veríssimo Barbieri, a metodologia é muito prática e permite estabelecer um paralelo entre o caso que se está estudando e a realidade de cada aluno. Ela afirma que a aula expositiva traz a visão do professor, que já realizou todo um trabalho prévio de compilação de informações sobre determinado assunto. Contudo, Carolina acredita que, com o estudo de caso, é possível aliar esse conhecimento à percepção individual, possibilitando que cada um amplie sua visão e formule suas próprias conclusões. “O papel do docente permanece imprescindível enquanto orientador do estudo e articulador com a teoria”, complementa.

Carlos Eduardo de Azevedo, aluno do curso de aperfeiçoamento, considera interessante observar as diferentes percepções dos alunos a partir do mesmo caso e como a experiência de cada um interfere e enriquece o processo de aprendizagem, até mesmo por ser o estudo de caso incompleto e possibilitar um conhecimento em permanente construção.

Para ele, numa aula expositiva trabalha-se com processos específicos e lineares, ao passo que, numa aula com enfoque no ensino aplicado, apresentam-se cenários mais complexos e com mais elementos. “Nesse ponto, o estudo de caso é muito instigante, pois traz à baila a problematização e o questionamento de elementos apresentados, outrora, como verdades irrefutáveis. O conhecimento por si só não tem serventia; é preciso ter habilidade e atitude para saber aplicá-lo”, destaca Carlos Eduardo.

Vinculando a teoria à prática, o professor Paulo Vaz Guimarães ficou surpreendido com o resultado dessa fórmula. Para ele, o aspecto que mais lhe chamou atenção foram as diferentes percepções dos alunos sobre o caso, o que permitiu que ele resgatasse muitas dimensões que haviam sido tratadas na parte expositiva do curso, e até mesmo outras questões teóricas que não haviam sido trazidas à sala de aula. 

O professor explica que selecionou o caso “Lancem o Vasa” por se tratar de uma narrativa curta, instigante e de leitura rápida, diminuindo assim a dispersão dos alunos, e por este ter sido elaborado para trabalhar a gestão de risco. Quanto ao caso do licenciamento ambiental, ele diz que o escolheu por sua natureza que também lida com gestão de risco, apesar da forte característica de negociação.

Por fim, Paulo Vaz ressalta a importância da troca de informações com os alunos, do aprendizado a partir de suas vivências e do conhecimento agregado sobre o funcionamento de suas organizações. “Todos esses elementos são importantes para ajustes no curso da disciplina e, mais que isso, são vivências que me ajudam particularmente a ampliar o repertório sobre administração pública”, conclui.